cdO Inevitável

Tomada

Pisces Entertainment Group Brazil

Por: R$25,00

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Release

Banda Tomada acerta com O Inevitável


Hoje quando escrevo sobre algum Cd novo gosto de pontuá-lo dentro do contexto da época e de certos aspectos que acolhem seu nascimento . Em um mundo em que o pop domina a criação musical, o rock pesado em toda a sua força parece acuado a um gueto, como nunca antes esteve. Especialmente no Brasil, onde bandas com pegada leve constituídas por músicos medianos dominaram a cena, muito também em decorrência da facilidade, da oportunidade, de se formar um grupo de rock e tocar em Festivais e casas noturnas comandadas com um viés simplista em termos de qualidade. Reflexo do tempo? E aqui vou pegar carona nas palavras do crítico musical britânico Simon Reynolds, em seu último livro “Retromania – Pop Culture’s Addiction to its Own Past” (em tradução livre, retromania – a obsessão da cultura pop por seu próprio passado), inédito no Brasil. Em recente entrevista a Folha de S. Paulo ele explica que “a cultura digital se fundamenta na facilidade, e que a facilidade de acesso e o custo mínimo de aquisição têm levado a uma depreciação no valor da música e à degradação da experiência audiófila”. E ai, é fácil construir uma ponte que ligue essa degradação a diluição da qualidade da produção musical atual.


Pois bem, a banda Tomada, de São Paulo, que corre contra essa corrente destrutiva e acomodada, acaba de lançar o Cd “O Inevitável”, uma coleção de 12 canções autorais e sinceras. Uma das virtudes do disco é ser coerente em todas as faixas, nas quais Pepe Bueno, baixo; Ricardo Alpendre, vocais; Alex Marciano, bateria; Lennon Fernandes, guitarras e teclados e Marcião, guitarra, “simplesmente” produzem rock de verdade calcado em raízes bluesy e hard. Seria leviano destacar alguma música, mas como adoro alguma leviandade, às vezes, “Ela Não Tem Medo” exemplifica que um bom rock tem que ter uma letra minimamente boa. E esse é o caso. Uma das coisas que mais sinto falta no brochado novo rock é a falta de guitarras. Até na ótima banda Madame Sataan, de Belém, que faz um rock bastante pesado e redondo, faltam solos. Não é o caso do Tomada, que abusa (no bom sentido) de solos pontuados e intervenções de bom gosto, como por exemplo, na ótima “Catarina”. Voltando um pouco ao Reynolds, “nos últimos dez anos, parece que os gêneros se tornaram quase estáticos, mas, de vez em quando, no meio de tanta coisa banal e mundana, você via o brilho de algo realmente novo”. E, apesar do trabalho do Tomada não querer ser totalmente novo, e nem precisa, a honestidade comove na medida em que em que se ouve o Cd e se mensura a dificuldade que uma banda desse porte encontra hoje, levando-se em conta a espontaneidade fluída do grupo.


É claro que existe algo de muito estranho na música pop moderna, em que se simula a energia e o som de música tocada ao vivo, mas onde toda a integridade da performance foi desvirtuada pelo uso de elementos de copy/paste que permitem mover a música e torná-la “perfeita”. Você consegue perceber, quase subliminarmente, que o que você está ouvindo não é real, acredita ainda Reynolds. Eu assino embaixo, porque, com outras palavras, sempre defendi esse pensamento aqui no Jukebox. Em “Blá Blá Blá Blá” os paulistanos demonstram bom humor em um rock típico setentista. Alpendre manda bem na voz e o disco levanta vôo. Nessa hora penso no quanto a estética do novo rock mudou. Exatamente quando ouço a malha de guitarras que o roller blues “A Sombra do Trem” tem. De leve me veio na mente o mestre John Mayall. “Luzes” percorre o fio tênue do pré-metal com o hard, falando de namoradas abusadas e estrelato. Sem dúvida alguma o som do Tomada representa muito bem o rock paulistano, com os todos os sotaques e a musicalidade da tradição pioneira de São Paulo no gênero.


E volto com Reynolds para explicar que um show do Tomada pode ser tão bom e honesto como o Cd. “Não é de hoje que gravações de rock têm sido melhoradas por “overdubs” e erros têm sido consertados por edições e substituições, mas hoje vivemos a era em que os sons se tornaram apenas uma massa que pode ser processada ou mudada a gosto. De certa forma, é exatamente como eu imaginava a música com o pós-rock, mas, em outro nível, tem uma certa fraudulência no ar, já que simula o som de uma banda tocando ao vivo. Depois, quando você adiciona tratamentos como compressão e AutoTune, o resultado é algo realmente horrível de escutar”. Isso talvez explique a medíocre performance da maioria das bandas novas ao vivo. Tanto aqui como no exterior. Finalizando, o terceiro Cd da Banda Tomada, “O Inevitável”, é um bom disco de rock.


Por Jukebox




O Inevitável - Tomada


"O Inevitável" é um disco que faz parte de um nicho que poucas bandas tem coragem de produzir hoje no Brasil. Nosso mercado, tomado por pops balançantes e sensações adolescentes coloridas, não abre espaço para grupos autorais de rock, que precisam dividir espaço para tocar com milhões de bandas cover. Assim, acreditar no próprio trabalho, uma atitude normal para qualquer atividade, acaba sendo um ato, como eu disse, de coragem para quem faz rock no Brasil. E, cá entre nós, ainda bem que Ricardo Alpendre (cantor), Marcião Gonçalves (guitarra), Pepe Bueno (contrabaixo elétrico), Lennon Fernandes (guitarra, violão, Hammond, Fender Rhodes e piano) e Alexandre Marciano (bateria e percussão) têm coragem de sobra.


O terceiro disco do Tomada é também o seu mais maduro registro. Muito disso se deve à entrada do excelente Marcião Gonçalves, um dos melhores guitarristas em atividade no Brasil. Explorando timbres e texturas com a curiosidade de uma criança em uma loja de brinquedos, Marcião colocou o som do Tomada em outro nível, tornando ótimo o que já era muito bom. As cores brilham, fortes e espessas, em arranjos repletos de detalhes. Das levadas de bateria ao groove do baixo, passando pelo tempero especial proporcionado pelo criativo trabalho de Lennon Fernandes, a parte instrumental segue na trilha do rock dos anos 60 e 70, mas inserindo algumas pitadas que fazem toda a diferença.


Ricardo Alpendre, inegavelmente um grande intérprete, mostra a segurança de sempre, mas surpreende de forma positiva nas canções mais calmas, como “Entro em Órbita” e “DC-3”, essa última com enorme influência de Guilherme Arantes.


O legal é que a banda não se limita a um estilo específico, navegando com a classe característica por vários caminhos. Cada faixa tem uma cara própria, o que torna o álbum uma surpresa constante. Do peso de “(Quero Ter) Uma Música Forte” à psicodelia sutil de “Ela Não Tem Medo”, passando pelo rock puro de “Catarina” e “Blá Blá Blá, Blá Blá Blá”, o que salta aos ouvidos é um trabalho redondo, requintado na medida certa, com tudo no lugar.


Mas, sem dúvida, o principal destaque vai para a excelente “O Calor de Abril”. Com uma letra que tem um lirismo inteligente, o arranjo leva o ouvinte por uma espécie de Jovem Guarda banhada em certeiras doses de lisergia. Grudenta e empolgante, é daquelas faixas que se tornam companheiras para os dias frios, aconchegando corações e confortando sentimentos. O encerramento com “Hoje Eu Não Tenho Muito a Dizer” é outro momento iluminado, com a banda carregando no soul e sendo acompanhada por um esperto naipe de metais.


Fechando o pacote, destaque para a produção, limpa e sem exageros, e para a parte gráfica, com um simples e belo digipak e capa feita por Tiago Almeida.


"O Inevitável" precisa chegar até você. Talvez você não encontre o disco em sua cidade, mas não tem problema. Basta entrar na loja da gravadora Pisces Records para garantir a sua cópia. Faça isso e tenha em sua coleção um álbum que, sem esforço, vai se tornar um dos seus favoritos em pouco tempo.


Por Ricardo Seelig




Banda Tomada resgata o peso e a psicodelia setentista


“O Inevitável” é o mais novo álbum da banda Tomada, de São Paulo, e mostra que antes de tudo o peso é fundamental para se distanciar de tudo o que lembre o atual pop rock do país, – se é que isso ainda existe.


O rock básico dos anos 60 e 70 é a matéria-prima do terceiro trabalho do grupo, que completa 11 anos de carreira em dezembro. Não espere algo heavy metal na cara como “Carcaça”, do Carro Bomba. A pegada de “O Inevitável” é mais hard e mais datada, no bom sentido.


Puxado pela ótima “Ela Não Tem Medo”, que virou um clipe bem feito e bem sacado, o álbum transita entre o mergulho fundo na psicodelia e rápidas passadas por soul e blues, sempre tendo a levada de guitarra de Marcião Fernandes como o fio condutor. E aqui não há outro jeito a não ser repetir: não há nada parecido no pop rock brasileiro da atualidade.


Os arranjos são outro destaque do trabalho. Nada fica fora do lugar, tudo foi pensado exatamente para dar uma sonoridade moderna a temas que pedem acentos característicos de outras eras, com resultado surpreendente.


“Ela Não Tem Medo” tem uma letra bem humorada e um ritmo rápido e marcante. “(Quero Ter) Uma Música Forte” também é rápida e mais pesada que o restante, mostrando diversas influências de um rock setentista mais pesado.


“Catarina” e “Blá Blá Blá, Blá Blá Blá” são rocks básicos e cativantes, resgatando um pouco da atmosfera de certa ingenuidade da primeira metade dos anos 60 – e remetendo, de certa forma, aos primórdios da Jovem Guarda.


Já “Calor de Abril” é a que mais se parece com o que é feito atualmente no Brasil, o que erroneamente pode levar o ouvinte a colocar a Tomada em uma seara onde transitam bandas queridinhas do cenário alternativo, como Cachorro Grande e Vanguart. Não se engane: Tomada é rock’n roll dos bons e consegue oxigenar um segmento engessado e estagnado, com trabalhos voltados cada vez mais para um pop forçado e de baixa qualidade.


A formação atual conta com Ricardo Alpendre (voz), Pepe Bueno (baixo), Alexandre Marciano (bateria), Marcião Gonçalves (guitarra) e Lennon Fernandes (guitarra e teclados).


Cometeram um trabalho de ótimo nível, que conseguiu se destacar da mesmice que domina o pop rock brasileiro desde a década passada. “O Inevitável” é o álbum mais maduro e coeso da carreira do grupo e coloca a Tomada em um patamar habitado pelas melhores bandas de rock brasileiras que cantam e português – e que cada vez mais dão destaque às guitaras.


Por Marcelo Moreira



Especificações Técnicas

Site Oficial

http://www.piscesrecords.com.br/tomada

Gravadora

Pisces Entertainment Group Brazil

Distribuidor

UVCN Discos - ME

Gender

rock and roll

Ano de Lançamento

2011

País

Brasil

Informação Adicional

O Inevitável
Tomada - O Inevitável

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